Felizes são os peixes.


Este foi um discurso proferido por mim no evento técnico da entrega da primeira fase do projeto Flatfish AUV em 05/12/2015.

Aos constantes pedidos estou disponibilizando no blog makingrobotics .

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——— Felizes são os peixes. ————

Para tudo há uma ocasião certa.

Há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:
tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,
tempo de matar e tempo de curar,
tempo de derrubar e tempo de construir,
tempo de chorar e tempo de rir,
tempo de prantear e tempo de dançar,
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las,
tempo de abraçar e tempo de se conter,
tempo de procurar e tempo de desistir,
tempo de guardar e tempo de jogar fora,
tempo de rasgar e tempo de costurar,
tempo de calar e tempo de falar,
———-
Muitos associam a tecnologia a imagem crua e cinza do alumínio,
a solidez e a resistência do aço,
ao formato padronizado do plástico,
a submissão a um aplicativo central… levando nos a um pensamento de frieza e de pouca maleabilidade. Além disso
somos levados a crer que dominamos a tecnologia
ou que a desenvolvemos para os nossos benefícios
porém
sabemos que pouco a pouco somos levados a depender cada vez mais dela.
Nos submetemos dia-a-dia ao domínio perverso das conversas de chats, whatsapp,
aos posts desatualizados que precisam ser atualizados.
———-
Passamos a ser dominados e não dominantes.
Passamos a marchar conforme o compasso dos aplicativos. A entender a ótica do computador.
E o que era para ser um meio…se torna um fim.
É hora de repensarmos a maneira como fazemos da tecnologia nossa aliada.
É hora de fazermos dos aplicativos, tintas para as telas da tecnologia que os pincéis descreverão numa paisagem futurística.
É preciso pensar a tecnologia como uma arte.
E a arte é algo mutável, sem limites, sem donos.
———–
Eu sou o Marco Reis: líder do projeto.
———–
Quando eu era menino, na escola,
as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso
porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. 
Pois ensinaram errado.
“O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas.
Mas o que faz um quadro não é a tinta:
são as ideias que moram na cabeça do pintor.
São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançarem sobre a tela.”
[texto contundente de Rubem Alves: A alegria de ensinar]
O Flatfish é uma dessas ideias.
E não foi pensado sozinho.
Gostaria de chamar aqui no palco Trocoli, Geovane, Gustavo, Rômulo, Diego, Saback, João, Rebeca, Razoni, Pedro, Luis, Branilson, Alexsandra, Kai, Jan, Christopher, Patrick, Nicholas, Marco “Juba”, Pedro Batista, Mendonça, Thomio e Sylvain.
Durante estes dois anos, tivemos grandes desafios:
  • na compra de componentes,
  • em enviar pesquisadores para a Alemanha,
  • na contratação de pesquisadores,
  • no reconhecimento dos mesmos,
  • na submissão de artigos,
  • na valorização da equipe,
  • na forma de liderar,
  • na quebra de paradigmas,
  • nas técnicas utilizadas…
UFA!! Foi bastante cansativo.
Mas algo batia forte em nossa alma:
a paixão pela robótica.
Então aprendemos que era preciso saltar sobre o vazio,
andar na escuridão.
Não ter medo da queda.
“E eu aprendi que é assim que se constrói a ciência:
não pela prudência dos que marcham,
mas pela ousadia dos que sonham.”
[outro ensinamento do Professor Rubem Alves]
E todo conhecimento começa com o sonho.
O conhecimento nada mais é
que a aventura pelo mar desconhecido em busca do tesouro perdido,
da terra sonhada.
Sonhar é coisa que não se aprende.
Brota das profundezas do corpo, como a FORÇA brota das profundezas da universo.
E tão quanto profundo
foram aqueles que nos ajudaram neste desafio,
pessoas como Breda, Débora, Fabrício, Sandro, Leôncio, Lene, Fabiana, Alex Alisson, Leonardo Nardy, Lucas, Mário, Viviane, Júnior, Ricardo, Fernando, Técio, Juliane e não menos importante: Letícia [você faz falta]
tiveram um destaque especial para nós.
Obrigado.
Há também pessoas que potencializam a paixão que vivemos,
que enxergam a nossa capacidade quando não acreditamos em nós mesmos
Rosane, você potencializou nosso sonho.
Obrigado.

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