11 de Setembro: A Fidelidade de Deus Além da Tragédia

Vinte e cinco anos após o 11 de Setembro: a história, as teorias da conspiração e a fé em um Deus fiel mesmo sem ver o arco-íris.
11 de Setembro: A Fidelidade de Deus Além da Tragédia

Foto por Francesco Ungaro no Unsplash

Há vinte e cinco anos, quatro aviões comerciais sequestrados mudaram o rumo de milhares de famílias numa única manhã de terça-feira. A cada aniversário, a mesma pergunta volta para quem tem fé: onde estava Deus?

O que aconteceu naquela manhã

Às 8h46, o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York. Dezessete minutos depois, o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul. Pouco depois das 9h, o voo 77 da American Airlines atingiu o Pentágono, em Washington. O quarto avião, o voo 93 da United Airlines, caiu perto de Shanksville, na Pensilvânia, depois que os próprios passageiros tentaram retomar dos sequestradores o controle da aeronave.

O número final de vítimas, depois de sucessivas revisões ao longo dos anos, fechou em 2.977 pessoas — a maior parte delas nas Torres Gêmeas, o restante no Pentágono e a bordo dos quatro aviões.1 Entre os mortos estavam 343 bombeiros do Corpo de Bombeiros de Nova York, que subiram escadas enquanto todo mundo descia. Cidadãos de mais de noventa países morreram naquela manhã — o ataque não teve uma nacionalidade só de vítima, teve o mundo inteiro.1

As teorias que nasceram do trauma

Nenhuma tragédia dessa escala escapa de teorias alternativas, e o 11 de Setembro não foi exceção. A mais persistente afirma que as torres não caíram só pelo impacto dos aviões e pelo fogo, mas por explosivos plantados de antemão — uma demolição controlada disfarçada de ataque terrorista. A investigação oficial do NIST (National Institute of Standards and Technology), publicada em 2005 depois de três anos de trabalho, não encontrou resíduo de explosivo nem som compatível com detonação, e concluiu que o colapso foi causado pelo impacto das aeronaves somado ao enfraquecimento estrutural pelo incêndio.2 Ainda assim, uma pesquisa da YouGov feita em 2023 constatou que um em cada cinco americanos considera provável que o próprio governo dos Estados Unidos estivesse por trás do ataque.3

Não é o propósito deste texto arbitrar essa disputa — quem quiser investigar por conta própria encontra o trabalho técnico nas referências. O propósito é dizer o que fica de pé, custe o que custar a discussão sobre quem sabia o quê: quase três mil pessoas morreram sem ter feito nada além de ir trabalhar, embarcar num avião ou responder a uma chamada de emergência. Nenhuma teoria, verdadeira ou falsa, muda isso. E é essa morte de gente inocente — não a disputa sobre suas causas — que qualquer reflexão sobre esse dia precisa levar mais a sério.

Deus não promete que veremos o arco-íris

Este blog já parou diante de outra tragédia em grande escala para fazer a mesma pergunta que qualquer pessoa de fé faz diante do sofrimento que não escolheu: onde Deus está quando o chão desaba de verdade? A resposta não muda de continente para continente, nem de causa para causa — um atentado, uma enchente, um diagnóstico, um luto que chegou cedo demais.

A Bíblia usa o arco-íris como símbolo concreto de uma promessa. Depois do dilúvio, Deus dá a Noé um sinal visível de que a destruição não teria a última palavra:

O meu arco tenho posto nas nuvens; este será por sinal da aliança entre mim e a terra.

Mas há um detalhe que se perde na repetição sentimental dessa imagem: o arco-íris aparece depois da tempestade, não durante ela. Enquanto a nuvem ainda está fechada, ninguém vê sinal nenhum — só chuva, vento e a sensação de que a promessa não vale para esse temporal específico. É exatamente nesse ponto, no meio da nuvem fechada, sem nenhum arco visível, que o profeta Habacuque escreve uma das frases mais desconcertantes do Antigo Testamento. Ele está diante da fome, da perda da colheita, do gado, do sustento inteiro de seu povo — e ainda assim escreve:

Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.

Habacuque não nega a perda. Ele a descreve, item por item, tudo o que faltou — e só depois de nomear cada perda decide de que lado vai ficar. A esperança bíblica nunca pede para fingir que a tempestade não aconteceu. Pede para confiar no caráter de Deus mesmo quando o céu continua fechado.

A fidelidade que não depende do sinal

Perdas físicas, emocionais, o peso de uma doença, o luto de um desastre natural, a violência de um ataque planejado por seres humanos contra outros seres humanos — nenhuma dessas dores vem com garantia de explicação nem com data marcada para acabar. Como este blog já escreveu sobre o deserto espiritual, o silêncio de Deus não é prova de sua ausência; muitas vezes é exatamente o lugar onde Ele forma alguma coisa que só se vê depois, olhando para trás.

Jeremias, escrevendo sobre a destruição de Jerusalém — uma perda tão grande quanto qualquer atentado do século XXI —, chega a uma conclusão parecida com a de Habacuque, mas com outra ênfase:

As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.

A fidelidade de Deus não se mede pela ausência de tragédia. Mede-se pelo fato de que ela se renova a cada manhã — inclusive na manhã depois da pior notícia. Vinte e cinco anos depois do 11 de Setembro, a pergunta que resta não é por que Deus permitiu. É se, mesmo sem essa resposta, ainda vale confiar que Ele está perto de quem carrega o coração quebrantado:

Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.

Em 11 de setembro de 2023, no aniversário de vinte e dois anos do ataque, um arco-íris duplo cruzou o céu de Nova York bem sobre o Marco Zero, onde ficavam as torres — fotografado por dezenas de pessoas na mesma hora em que a cerimônia de homenagem às vítimas acontecia ali embaixo.4 Não é prova de nada, nem confirma doutrina nenhuma; foi refração de luz num dia de chuva, como qualquer outro arco-íris. Mas apareceu na data certa, no lugar certo, para quem passou a vida inteira lembrando daquela manhã — e para muita gente que estava lá, foi difícil não ler aquilo como sinal.

Talvez o arco-íris não apareça sempre na hora em que mais precisamos dele — em 2023, sobre o Marco Zero, apareceu. Mas a promessa nunca dependeu de nós vermos o sinal. Depende de quem a fez — e Ele continua tão fiel quanto no dia em que a fez.


Referências

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